8 de Janeiro mobiliza cidades na luta pela democracia e soberania na América Latina
Publicado: 08 Janeiro, 2026 - 19h41 | Última modificação: 09 Janeiro, 2026 - 07h29
Escrito por: JC Mazella/AuroraPE | Editado por: Chico Carlos
No Recife, um ato público foi organizado para celebrar a prevalência da democracia brasileira, reforçar a condenação dos responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e expressar resistência às tensões políticas e econômicas impostas pelos Estados Unidos. foto
Diversos estudantes, movimentos sociais, sindicatos e outras organizações da sociedade civil se reuniram, na tarde desta quinta-feira (8), em um ato nacional que relembra a tentativa de golpe de Estado e os ataques sofridos pelas instituições públicas dos Três Poderes há três anos, em 8 de janeiro de 2023.
A celebração desta data não é apenas uma forma de recordar um momento devastador na história brasileira, mas um compromisso com a defesa intransigente da democracia, da justiça e da soberania popular.
"E a gente não pode deixar que isso caia no esquecimento, porque é o que eles querem, é que a gente esqueça e eles continuem sempre tentando dar golpe no nosso país. Então, a gente defende um país soberano, um país autônomo, um país livre de qualquer opressão vinda de onde vier." - Jorgiane Araújo ( Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-PE) foto Pátria amada Brasil
A data simbólica marca o dia em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, depredando os edifícios dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. A ação foi classificada como ataque antidemocrático e tentativa de golpe de Estado, com o objetivo de impedir a transição legítima de poder a Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.
Após anos de investigações e processos judiciais, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e vários cúmplices de seu governo por participação no plano golpista de 2023.
"O Brasil já viveu períodos de ditadura militar e não só o Congresso Nacional foi fechado, não só os cidadãos foram proibidos de eleger os seus representantes, mas também os sindicatos, eles foram fechados, suas lideranças foram percebidas e torturadas. Então, se a gente quer a luta pela escola pública, se a gente quer a luta por valorização profissional, a gente precisa também fazer a luta por democracia, porque sem democracia não há possibilidade de fazer essa luta por direitos sociais." - Ivete Caetano (Presidente do SINTEPE)
Houve uma forte mobilização de partidos de direita na aprovação do chamado PL da Dosimetria, um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que prevê a redução das penas para quem participou dos ataques de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Bolsonaro.
Entretanto, o presidente Lula aproveitou a data de hoje para reafirmar seu compromisso em vetar integralmente esse projeto de lei, o que forçará o retorno do projeto ao Parlamento em 2026 para nova análise.
As manifestações de hoje reforçaram não apenas a defesa da democracia no Brasil, mas também a soberania de todos os países diante de pressões e intervenções estrangeiras, em especial por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em agosto de 2025, num período critico do julgamento da trama golpista, Trump impôs tarifas elevadas de até 50%, a produtos importados do Brasil. Além da aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que permite o governo dos Estados Unidos impor sanções financeiras e de circulação nos EUA a indivíduos estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção.
O recente ataque estadunidense à Venezuela, que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, trouxe a tona novamente a forma autoritária com que o presidente americano costuma agir para pressionar outros Estados, especialmente latinos como Cuba, Colômbia, Argentina, Chile, México e Brasil.
"Temos aí uma pressão do governo Trump contra os países do sul global, podemos ver no ataque à Venezuela, e o Brasil está na mira desse ataque também. Tudo isso faz parte de uma ofensiva fascista e golpista no nosso continente, que só será barrada pela mobilização do povo nas ruas, com capacidade de responder a essas intenções imperialistas e, ao mesmo tempo, consolidar nossa democracia." - Fernando Ferro (Ex-deputado PT)
Essa escalada de tensões reforça a importância de que a luta pela democracia no Brasil esteja articulada com a defesa da autonomia e da autodeterminação dos povos da América Latina (AL), em oposição a qualquer forma de hegemonia ou coerção externa que ameace a paz e o desenvolvimento regional.





