Escrito por: Aristóteles Cardona*, do Brasil de Fato

Assim como Temer, Vacinação bate recorde negativo

"Mas a verdade é que o Brasil está deixando de ser exemplo mundial"

As vacinas foram uma das mais importantes invenções da humanidade. Desde a primeira, criada em 1796, já são mais de 200 anos com muitos avanços científicos que nos possibilitaram chegar a uma enormidade de doenças erradicadas ou controladas graças a elas.

Em geral, as vacinas são preparações que estimulam o nosso organismo a produzir defesas contra determinadas doenças, trazendo imunidade. Considerando especialmente aquelas que possuem comprovada ação científica, podemos dizer que elas nos trazem grande vantagem ao evitar os transtornos causados pelas enfermidades.

O Brasil possui no SUS um programa de grande referência mundial, o Programa Nacional de Imunização (PNI). Conquista histórica do nosso sistema de saúde, ele foi responsável por erradicar doenças como a varíola e a poliomielite, além de ter reduzido os casos de várias outras doenças como tétano, difteria e coqueluche.

Mas, a verdade é que o Brasil está deixando de ser exemplo mundial. Em 2017, as vacinações em bebês e crianças tiveram uma queda significativa, levando o nosso país ao mais baixo nível de cobertura vacinal dos últimos 16 anos. Significa um grave retrocesso e que precisa ser duramente denunciado. Pela primeira vez neste período, todas as vacinas em crianças de até um ano ficaram abaixo das metas. Como exemplo cito a vacina para poliomielite, a temida paralisia infantil. De uma cobertura que circundava em torno de 100% de vacinação, em 2017 foram apenas 77%.

Esta queda nas vacinações representa mais um sintoma de um país doente. Doença que se instalou com a queda da presidenta Dilma e que segue nos consumindo enquanto nação. Dia a dia temos nos acostumado a receber notícias como esta. Menos financiamento para o SUS, fechamento de serviços de saúde e agora até enfraquecimento do maior programa público de vacinação do mundo.

Infelizmente, no ritmo que o país caminha, parece termos um horizonte de poucas perspectivas. Com a emenda que congela o orçamento público federal pelos próximos 20 anos, a tendência é observarmos uma precarização gradual, mas intensa, nos serviços de saúde pública em nosso país. Nossa única esperança passa necessariamente por nossa capacidade de nos organizarmos para defender o que já conquistamos. E nas eleições em outubro, construir e votar em candidaturas que possuam forte compromisso com o SUS e com a saúde do povo brasileiro.