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Lula: “O povo brasileiro que não recebe aumento de salário faça como Moro: peça auxílio-moradia”

Em entrevista a Rádio Jornal de PE, Lula critica auxílio-moradia dos juízes e diz acreditar que será candidato a presidente nas eleições deste ano.

Publicado: 06 Fevereiro, 2018 - 17h16

Escrito por: CUT Nacional

Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Lula afirmou nesta terça-feira (6) que não há possibilidade de pedir exílio se houver a possibilidade de ser preso. "Não existe a palavra fugir em minha vida. Escapei da fome até os 5 anos de idade, então vou encarar qualquer situação de cabeça erguida", disse em entrevista ao jornalista Geraldo Freire, da  Rádio Jornal de Recife. 

Sobre o argumento dos juízes de que precisam de compensação salarial e, por isso, requereram o auxílio-moradia mesmo tendo casa própria no local onde estão trabalhando, como é o caso do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Lula ironizou: “Aprendi uma nova: o povo brasileiro que não receber aumento de salário, faça como o juiz Moro e peça auxílio-moradia”.

Condenado em segunda instância pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Lula disse acreditar que a peça dos três desembargadores estava preparada "para salvar mentiras".

"Eu imaginava que, ao ir para segunda instância, ela serviria para corrigir os equívocos da injustiça. Fiquei pasmo com os juízes preferirem manter a mentira contada a estudar os autos do processo e me absolver. A única explicação é que tentam referendar a mentira contada na primeira instância, porque a acusação do Moro não tem pé nem cabeça, ele inventou uma história para dar guarida ao Powerpoint feito pelo MP, que é uma mentira deslavada. Uma coisa absurda dizer que o PT é uma organização criminosa, uma coisa messiânica de alguém que é quase um analfabeto político”.

“Se eu disser que respeito a decisão [do TRF-4], minha bisneta vai me acusar de ser covarde”, afirmou Lula.

O ex-presidente acredita que será candidato nas eleições deste ano. "A verdade virá a tona e as pessoas que mentiram serão exoneradas", afirmou. E diz por que se mantém nas lideranças das pesquisas: "É uma relação verdadeira com o povo brasileiro. A única coisa que tenho medo na vida é mentir para quem acredita em mim. Não posso trair um povo extraordinário que votou em um metalúrgico quase analfabeto, acreditando que eu faria por ele o que os doutores nunca fizeram. Os doutores não têm sentimento, não sabem o que é passar fome, por isso não podem governar o país, eles não conhecem parte do povo brasileiro", afirma.

Confira trechos da entrevista ou assista a entrevista na íntegra no final deste texto:

“A Lei da Ficha Limpa não foi feita para inimigos, foi feita para o Brasil. Se eu tiver cometido um crime, não vou escapar dela. A única coisa que eu quero é que provem o crime que eu cometi”;

“A palavra fugir não existe na minha vida”;

“Quando a verdade vier à tona, as pessoas que estão mentindo a meu respeito teriam de ser exoneradas”;

“Aprendi uma nova: o povo brasileiro que não receber aumento de salário, faça como o juiz Moro e peça auxílio-moradia”;

“Como que uma pessoa que ganha R$ 30 mil pode requerer auxílio-moradia enquanto tem gente sendo despejada?”;

“Os doutores não têm sentimento, nunca moraram em casa na qual entrava um metro e meio de água, não sabem o que é passar fome, não ter material escolar, ir para a escola com um pedaço de lápis por não ter um lápis inteiro. Então eles não podem governar o país porque não conhecem o país e o povo brasileiro. O povo acredita em mim porque sabe que eu não sou presidente, sou um deles”;

“Qual outro político resistiria ao massacre de 12 anos que eu estou sofrendo? A mais de 35 horas de Jornal Nacional fazendo matéria negativa, a mais de 60 capas de revista, mais de mil páginas de jornais?”;

“Eles estão preocupados agora porque achavam que quando fosse a primeira pesquisa, Lula estaria destruído, poderiam festejar. Perceberam que não é o Lula que está vivo, é o povo que está vivo”;

“Não vou fazer nada com a Rede Globo, não sou censor. Quem tem que censurar é o telespectador, ouvinte, leitor. O que eu vou propor é um processo de democratização dos meios de comunicação. Tentar criar condição para que os meios sejam mais democráticos e chamar os donos para participarem de um congresso, discutir com a sociedade. Não quero uma imprensa como a cubana, chinesa, quero como a inglesa, americana, alemã. O meio de comunicação é uma concessão do Estado e no mínimo tem que fazer uma cobertura verdadeira e não mentirosa”;

“Vamos deixar para conversar sobre isso [alianças] a partir de abril. O PT pode voltar a conversar com o PSB aí em Pernambuco, com o Armando Monteiro, pode ter candidatura própria. Não posso aceitar a ideia de que o PMDB como um todo não pode fazer aliança com o PT porque desde 2002 a gente faz aliança com parte do PMDB, e vamos fazer aliança política para ganhar as eleições com quem está de acordo com um programa. Sem nenhum trauma, nenhuma violência”.

Assista a entrevista:

Com apoio RBA e Nocaute.

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