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Mobilidade urbana em crise e quem paga a conta são as pessoas

A capital pernambucana amarga o primeiro lugar de pior trânsito do país e um dos 15 piores do mundo, de acordo com o ranking anual Traffic Index, elaborado pela empresa de mobilidade Tomtom

Publicado: 20 Janeiro, 2021 - 10h21 | Última modificação: 20 Janeiro, 2021 - 10h34

Escrito por: Assessoria de Comunicação da CUT-PE

Ameciclo
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Mobilidade Urbana é definida como a condição que permite o deslocamento das pessoas em uma cidade, com o objetivo de desenvolver relações sociais e econômicas. Ou seja, é como os indivíduos conseguem se locomover para o trabalho, escola, lazeres e afins. No dicionário, mobilidade significa “facilidade para se mover”, o que não é uma realidade constante para quem mora nas grandes cidades, sobretudo para quem mora no município de Recife.

 A capital pernambucana amarga o primeiro lugar de pior trânsito do país e um dos 15 piores do mundo, de acordo com o ranking anual Traffic Index, elaborado pela empresa de mobilidade Tomtom. O relatório avaliou 416 cidades em 57 países e classifica o congestionamento urbano em todo o mundo. Ônibus, metrô, bicicleta, outros transportes coletivos e carros, as opções são variadas que fazem parte das soluções de mobilidade. 

Para Klauber Teixeira, que é da coordenação do Pedal Lula Livre e do Setorial Nacional de Transportes do PT, as dificuldades na mobilidade não é uma especificidade do Recife, mas, de quase todas as cidades do país. "A mobilidade urbana não só na nossa região, mas, de todo os aglomerados urbanos, nas capitais e regiões metropolitanas passam por uma enorme crise. Aqui em Recife, eu destacaria três grandes problemáticas: o primeiro é a questão de trânsito e o estímulo ao transporte automotivo individual. O excesso de automóvel na rua provoca muito congestionamento na cidade, poluição, acidentes de trânsito e também impactos na política habitacional” pontua.

 Segundo ele, outro ponto é o pouco investimento no transporte público de massa. “ Este sim precisaria ter um tratamento prioritário, talvez construindo caminhos livres para eles, sem que eles fiquem presos nos congestionamentos, já que a maioria da população usa desta modalidade. E, por fim, a pouca transparência na gestão do sistema de transporte público e também, infelizmente a pouca participação social", defende.  

 Desafio constante

 Neste cenário caótico, quem mais sofre são as pessoas. E, também sofre e perdem suas vidas em um trânsito violento e sem estrutura. No apagar das luzes de 2020, mais uma vida foi interrompida por um acidente de trânsito.  A morte do ciclista Marcos Batata, é o retrato do quanto ainda tem que ser feito para que as pessoas fiquem seguras enquanto se deslocam.

Marcos da Silva Alves, conhecido por Batata ou Marquinhos, tinha 32 anos e foi brutalmente atropelado na noite de Natal, enquanto pedalava na Avenida Uriel de Holanda, na Linha do Tiro. Segundo testemunhas que estavam no local, o motorista que atropelou Marcos é um sargento do Exército e dirigia seu automóvel em alta velocidade e embriagado. O sargento foi autuado por homicídio com dolo eventual, pelo fato da combinação do uso do álcool e do volante.

Cidade sem estrutura           

Segundo a Associação de Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), cerca de 82.286 pessoas passam de bicicleta durante 14 horas em um pré-escolhido cruzamento da cidade do Recife. As contagens são  registradas manualmente através da observação das pessoas voluntárias na contagem, registrando a direção do deslocamento e fatores qualitativos. 

Para Klauber, os maiores desafios para as pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte é a falta de estrutura cicloviária. "Precisamos de ciclovias, ciclofaixas ou ciclorotas, que são esses lugares que o ciclista pode pedalar de uma forma mais segura e com mais dificuldade de um carro invadir e atropelar, porque o ciclista quando pedala junto com os carros fica bastante vulnerável e termina ocasionando muitos acidentes e mortes", diz.

Plano Diretor

Sobre medidas que podem ser feitas para melhoria da mobilidade, Teixeira defende que "Cada cidade controla o seu trânsito, então as prefeituras precisam investir em melhorar os seus trânsitos. Investir sobretudo no controle e na fiscalização do trânsito, seja um controle humano, capacitando os agentes, seja um controle eletrônico, investindo na tecnologia, colocando pardais e diminuir as velocidades nas vias, que é muito importante para humanizar a cidade. Precisa também ampliar as calçadas, rever os tempos de travessias nas vias, para os pedestres transitarem com segurança e, claro, cuidar da acessibilidade universal para os cadeirantes, os deficientes visuais e todas as outras pessoas que precisam de cuidados especiais. Para os ciclistas, implementar o Plano Diretor Cicloviário. Ele está no papel, é um plano muito bem feito, teve a escuta da sociedade e está faltando implantar. Mesmo com os avanços, pedaços de ciclovias não adianta. Para o transporte público coletivo, ele precisa de investimento na infraestrutura e também na diminuição na passagem, procurando outros meios extra tarifárias".

 Até quando ficaremos reféns?