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Novembro Negro de consciência permanente

Porque Novembrar diuturnamente significa que “VIDAS NEGRAS IMPORTAM” e que “NÃO BASTA NÃO SER RACISTA, PRECISAMOS SER ANTIRRACISTAS”

Publicado: 17 Novembro, 2020 - 09h58 | Última modificação: 17 Novembro, 2020 - 10h15

Escrito por: Assessoria de Comunicação da CUT-PE

Reprodução
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Na semana em que o destaque é o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, 20 de novembro (sexta-feira), a CUT Pernambuco publicará textos que informam, discutem e esclarecem sobre o racismo, a desigualdade racial, e a violência contra as mulheres, em especial, as negras. 20 de novembro, não será um dia qualquer e sim dedicado à reflexão sobre a participação do negro na sociedade brasileira, entre outras questões, que estão em debates dos movimentos sindicais e sociais. Mas qual é a situação dos negros no Brasil? Ainda é possível ver os reflexos da história de desigualdade, preconceito e exploração da população negra. A maioria dos negros no Brasil pertence às camadas baixas e desassistidas da sociedade; sofrem com o racismo e com frequência são vítimas de humilhações, assédios, violências quase que frequente e de várias formas no contexto social 

Os seis primeiros meses de 2020 tiveram um aumento no número de mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil, ao se comparar com o mesmo período do ano passado. De acordo com levantamento do ‘Monitor da Violência’, as principais vítimas de feminicídio são mulheres negras. Vale destacar que entre janeiro e julho deste ano, cerca de 1.890 mulheres foram mortas de forma violenta, boa parte em plena pandemia do novo coronavírus – um aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo o levantamento, 631 desses crimes foram de ódio motivados pela condição de gênero, ou seja, feminicídio.

 

 “Novembramos 2020 com características tão adversas que um livro pouco daria conta das análises e constatações presentes nas vidas dos humanos no mundo. Num ano tão atípico que chegarmos vivos neste mês já é uma grande vitória”, afirmou o secretário de Combate ao Racismo da CUT Pernambuco, Gilson de Góz Gonzaga.

Ele acentuou que, no  Brasil, desde 2016, com o golpe dado e articulado com os sistemas midiáticos, financeiros, político, judiciário, empresarial, rural, e parte significativa de religiões  evangélicas pentecostais, destituíram a presidenta Dilma Rousseff, prenderam o ex-presidente Lula sem provas e intensificaram uma guerra de retirada de direitos da classe trabalhadora sem precedentes na história brasileira. “ O  objetivo foi da implementação total da ortodoxia  ultra-neoliberal, tem resultado nos dias de hoje em mais de 14 milhões de desempregados, milhares de mortes devido a pandemia e a total ausência de uma política séria do poder central para com a vida e a saúde dos brasileiros”, ressaltou.

Para Gilson de Góz, num governo que faz piada diuturnamente com relação as mortes e desempregos e todas as demais demandas da sociedade, e que sendo essa sociedade de maioria negra, periférica e pobre , onde  deixa claro que temos  um presidente racista, machista, homofóbico  e entreguista. Além disso, os dados estatísticos evidenciam que o alvo desta política tem classe, gênero e raça: 90% da população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é negra (o governo congela/ reduz o repasse para o sistema de saúde); o nível de desemprego devido a pandemia atingiu 14%. Segundo dados do  IBGE, quase 18% de negros contra 10% de brancos; 75% das vítimas de homicídio no país é da população negra; 68% das mulheres assassinadas são de mulheres negras.

“Todos os índices e estatísticas procuradas e pesquisadas demonstram e evidenciam o descaso e abandono das famílias pobres e periféricas que em sua grande maioria são negras, deixando claro o racismo estrutural já existente no país, nos últimos anos agravados pela *necropolítica* implementada pelo governo Bolsonaro” destacou Góz.

O secretário cutista, Gilson de Góz, frisou ainda que novembrar diuturnamente significa não só resistir, mas elaborarmos ações permanentes transformando todos os meses do ano em um novembro de consciência, não só negra, mas branca, amarela, preta, parda...  em cada local de trabalho, em cada atividade de lazer, em cada situação constatada que requer solidariedade, em cada escola, em cada shopping, em cada teatro, nos recantos mais distantes, mas também nos mais próximos , no lar, na igreja, no terreiro,  etc.  “ Porque Novembrar diuturnamente significa que “VIDAS NEGRAS IMPORTAM” e que “NÃO BASTA NÃO SER RACISTA, PRECISAMOS SER ANTIRRACISTAS”, finalizou.

 

  • Necropolítica é um conceito desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe que, em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer. O ensaio virou livro e chegou ao Brasil em 2018, publicado pela editora N-1. Para Mbembe, quando se nega a humanidade do outro qualquer violência torna-se possível, de agressões até morte.