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Petição recolhe assinaturas contra despejo do Centro Paulo Freire, em Caruaru (P

Documento aponta que reintegração prejudicaria rede beneficiada e exige que o Incra atue em prol da reforma agrária.

Publicado: 25 Setembro, 2019 - 11h03

Escrito por: Marcos Barbosa

Matheus Alves
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Como parte da campanha em defesa do Centro de Formação Paulo Freire (CFPF), localizado no Assentamento Normandia, em Caruaru (PE), e repúdio ao pedido de despejo emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), internautas podem participar de abaixo assinado em apoio à Associação Centro de Capacitação Paulo Freire (ACCPF) e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perante as autoridades nacionais e internacionais. Até o momento de publicação dessa matéria, quase 3.200 pessoas já firmaram a petição. Para assinar, clique aqui.

De acordo com o abaixo assinado, a ordem de despejo afeta, diretamente, "o desenvolvimento da produção da agroindústria e agropecuária, vulnerabilizando a economia rural, o cooperativismo, a agroecologia, a educação e saúde do campo e a segurança alimentar do Estado". Nesse sentido, é apontado que a reintegração de posse afetaria não só os trabalhadores rurais assentados, mas toda a rede que é abastecida e beneficiada pelo Centro.

Em contraproposta ao despejo, é reivindicado o direito ao desenvolvimento de uma cidadania plena para a população do campo, mais investimento no patrimônio e que o Incra atue na preservação e execução das políticas nacionais voltadas para à reforma agrária e democratização do direito à terra.

Sobre o CFPF

O Centro de Formação Paulo Freire é considerado um dos principais espaços de educação popular do país. O espaço é composto por um casarão com capacidade para abrigar 240 pessoas, auditório que comporta 800 pessoas, alojamento para 300 pessoas, cozinha e refeitório, telecentro, agroindústrias produtoras de carnes, panificação, raízes e tubérculos, Casa da Juventude, Academia das Cidades, Academia do Campo, quadra esportiva, Ciranda Infantil (creche) e Igreja da comunidade.

Fundado por famílias assentadas, o Centro recebe atividades educativas e culturais desde 1999. Segundo o texto que antecede a petição, pelas suas salas de aula do Centro já passaram aproximadamente oito mil estudantes formados em cursos próprios ou de instituições públicas e estima-se que 100 mil pessoas já tenham participado de atividades no Centro ao longo de 20 anos. 

Nas três agroindústrias ali presentes, dois mil camponeses processam seus alimentos sem agrotóxicos, que são fornecidos para cerca de 400 escolas públicas de 20 municípios, do agreste à região metropolitana de Pernambuco. O Assentamento Normandia produz até 100 toneladas de carnes, mais de 180 toneladas de pães e bolos e mais de 200 toneladas de raízes e tubérculos por ano.

O Centro é utilizado por instituições públicas voltadas para educação pública, saúde e desenvolvimento local, como a Universidade Federal de Pernambuco (UPFE), Universidade de Pernambuco (UPE), Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Faculdade Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e sua Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG).

Edição: Monyse Ravena