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Sem recursos e com equipe reduzida, Centro de Saúde de PE vive grave crise

Profissionais da entidade lutam para evitar colapso e manter o antendimento de qualidade a mulheres e jovens vítimas de violência sexual e doméstica, aborto legal e gravidez de risco.

Publicado: 15 Dezembro, 2020 - 13h50 | Última modificação: 15 Dezembro, 2020 - 15h23

Escrito por: Imprensa CUT-PE e Adupe

Reprodução
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Os trabalhadores, trabalhadoras e diretores do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), em Recife, lutam para evitar o colapso, manter a instituição funcionando e prestando serviços de qualidade à população de Pernambuco.

A direção do Cisam, que integra o complexo hospitalar da Universidade de Pernambuco (UPE), mais conhecida como Maternidade da Encruzilhada, e é referência na assistência à mulher e à adolescente em situação de violência sexual e doméstica, anunciou, na sexta-feira (11) a suspensão no atendimento de casos não emergenciais e cirurgias eletivas programadas.

A medida foi necessária devido ao grande número de servidores da unidade afastados com diagnóstico de Covid-19 e outros problemas de saúde (127). A  reserva técnica de profissionais, segundo a direção do Cisam, é insuficiente para suprir a necessidade de 38 enfermeiros e 39 técnicos para recompor as escalas.

Em nota, a CUT -PE repudiou o descaso, a falta de investimentos e cobrou o governo do Estado, comandando por Paulo Câmara (PSB), providências para evitar o caos, com a contratação emergencial de profissionais de saúde, bem como a realização de concurso público, para a ocupação das vagas efetivas decorrentes de aposentaria ou morte.

A Seção Sindical dos Docentes da Universidade de Pernambuco (Adupe) também emitiu nota de apoio à direção do Cisam que, mesmo sem condição, luta para evitar a situação de colapso total na unidade, que atende ainda casos de aborto legal e acompanha gravidezes de risco.

Na nota, a entidade solidariza-se também com os servidores de todas as categoriais profissionais que ali trabalham e que empreendem esforços e conhecimentos em prol da população. Segundo a Adupe, faz-se urgente a destinação dos recursos necessários para a recuperação estrutural do Cisam e a aquisição de equipamentos e insumos, de modo que a unidade retome a sua condição como serviço de referência na atenção obstétrica, imprescindível à população que tem o serviço público como única porta de acesso à saúde.

“Na verdade, os problemas que acometem o Cisam não são recentes. Há muito tempo a unidade sofre com a insuficiência do quadro de pessoal, com a falta dos insumos e equipamentos e com os problemas de ordem estrutural. O colapso ao qual chegou infelizmente já era esperado. Ele é conseqüência da atual política de redução dos recursos para a saúde pública, agravada ainda mais após a edição da Emenda Constitucional nº 95/2016, que congelou os recursos da saúde e da educação por 20 anos”, destaca a nota da Adupe.

Sobre o Cisam

O Cisam-UPE teve sua origem na Maternidade Professor Monteiro de Morais, inaugurada em 23 de janeiro de 1946, conhecida como a “Maternidade da Encruzilhada”. Na década de 1970, disciplinas da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças (FENSG) e da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco (FESP) passaram a ser ministradas nesta unidade. A maternidade foi incorporada, em 1973, juntamente com o Centro de Saúde Amaury de Medeiros à Fundação de Ensino Superior de Pernambuco.

O Cisam desenvolve ações com ONG feministas, desde 1993, na temática de gênero e cidadania, na busca incessante da otimização de seus resultados com objetivo de sensibilizar e construir uma nova relação entre profissionais de saúde e usuárias.

Nos anos de 1993 e 1997, o Cisam recebeu o certificado de melhor serviço público estadual na assistência à saúde da mulher. Em 1995, recebeu da UNICEF o título de “Hospital Amigo da Criança”. Em 1996, tornou-se referência na assistência à mulher e adolescente em situação de violência sexual e doméstica incluindo o aborto legal, ofertando atendimento no serviço Pró-Marias.

 Em 2015, integrou-se ao Comitê de Operações de Emergências em Saúde (COES) do Estado de Pernambuco para discussão dos casos de Microcefalia e planejamento das ações. Em 2016 passou a oferecer atendimento especializado à população Trans – Masculino com equipe interdisciplinar. Em 2012, com a aprovação da Resolução Consun nº 18 passou a incorporar o Complexo Hospitalar da UPE.