A manhã desta quarta-feira (18) foi marcada por mobilizações e paralisações de servidores estaduais em Pernambuco, em um movimento articulado pelo Fórum dos Servidores Estaduais e apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com atos simultâneos na Praça do DIARIO, no centro do Recife, e na Praça do Bambuzinho, em Petrolina, a categoria foi às ruas para cobrar negociação imediata com o governo estadual.
A concentração na capital reuniu trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo público, que denunciaram a ausência de diálogo por parte da gestão estadual diante da pauta de reivindicações apresentada entre o final de janeiro e fevereiro de 2026. Entre os principais pontos defendidos estão a reposição salarial, o reajuste do tíquete alimentação e a ampliação dos investimentos no Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Pernambuco (SASSEPE).
Diversas falas que destacaram o impacto direto da defasagem salarial no cotidiano dos servidores, agravado pelo aumento do custo de vida e pela pressão inflacionária sobre itens básicos. A reivindicação por melhorias no SASSEPE também foi um tema de grande centralidade, diante de críticas recorrentes à qualidade e à cobertura do atendimento oferecido aos trabalhadores e seus dependentes. "Por conta do ano eleitoral, o prazo de negociação é muito curto e é necessário, inclusive, ter sido aprovado em lei e sancionado, assinado pela governadora, até o dia 4 de abril. A pauta que nós estamos solicitando é um reajuste de 7,6% para o conjunto dos servidores. Isso tem um pouco de diferença com relação à educação.Queremos investimento no SACEP, nós temos recebido diversas denúncias da precariedade do SACEP, queremos concurso público e queremos, fundamentalmente, melhorar o serviço público no Estado de Pernambuco, para que tenha um serviço público da altura da população do Estado. " Paulo Rocha, Presidente da CUT-PE
Segundo o Fórum, o governo estadual sinalizou a possibilidade de negociação apenas para o dia 31 de março, data que, na avaliação das entidades, inviabiliza qualquer tramitação adequada das propostas. Isso porque, devido ao calendário eleitoral, medidas que envolvem reajustes precisam ser aprovadas e sancionadas em tempo hábil, o que não seria possível dentro de um intervalo tão curto.
Diante desse cenário, os atos buscaram pressionar o Executivo a antecipar o diálogo e garantir avanços concretos nas pautas apresentadas. Além das manifestações presenciais, a paralisação de atividades em diferentes setores reforçou o alcance da mobilização e evidenciou o grau de insatisfação da categoria.
As entidades destacaram que novas ações não estão descartadas caso não haja avanço nas negociações, reafirmando que a valorização do serviço público passa, necessariamente, pelo respeito aos direitos dos trabalhadores.